PERCEPÇÃO DE SUPORTE SOCIAL (PSS) E A INFLUÊNCIA DO MEIO SOCIAL NA RECUPERAÇÃO DE PSICOPATIAS

Resumo: Os estudos abordando suporte social, bem como o meio social influenciando na recuperação de psicopatias, sejam no âmbito nacional ou internacional não são recentes. Em virtude da globalização e da facilidade de se trocar e buscar informações, a psicopatia é uma das perturbações mais estudadas. O objetivo desse estudo foi verificar a percepção de suporte social e a influência do meio social na recuperação de psicopatias. Foram abordados também, dentro do tema suporte social: a) percepção de suporte social, b) suporte instrumental ou estrutural, c) suporte informacional ou da informação d) suporte emocional. Com relação ao meio social foram abordados quatro de suas partes integrantes: a) cultura, b) língua, c) religião d) saúde. O estudo foi feito a partir de levantamento bibliográfico a partir da utilização de livros, artigos, monografias, teses e dissertações adquiridas de fontes seguras de consulta como pro exemplo Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca das Universidades Federais, etc. Por se tratar de uma pesquisa envolvendo apenas levantamento bibliográfico, não houve a participação de pessoas nesse estudo. Para a fundamentação do objetivo foram apresentados estudos nacionais e internacionais onde foi possível evidenciar que tanto a percepção de suporte social quanto o meio em que o indivíduo está inserido pode exercer influência na recuperação de psicopatias. Os resultados dos estudos apresentados nesse trabalho podem oferecer uma melhor fundamentação conceitual aos estudiosos do tema, bem como para as redes sociais dos indivíduos que sofrem de algum tipo de psicopatia e ainda aos técnicos de saúde mental.

Palavras-chave: Suporte social; meio social; psicopatias; cultura; língua; religião

Abstract: The studies on social support as well as the social environment influencing the retrieval of psychopathy, whether nationally or internationally are not new. Because of globalization and the ease of exchanging information and seeking, psychopathy is a disorder of the most studied. The objective of this study was to investigate the perception of social support and influence of social environment on the recovery of psychopathy. Were also addressed within the topic social support: a) perception of social support, b) instrumental support or structural c) informational support or information d) emotional support. With regard to the social environment were addressed four of its constituent parts: a) culture, b) language, c) Religion d) health. The study was done from a literature review from the use of books, articles, monographs, theses and dissertations acquired from reliable sources such as pro query Medline, LILACS, BIREME, SciELO, Google Scholar, Library of Federal Universities, etc. Because it is only a survey of literature, there was no participation of people in this study. For the purpose of the foundation were presented national and international studies where it was possible to show that both the perception of social support and the medium in which the individual belongs may influence the recovery of psychopathy. The results of the studies presented in this work may provide a better conceptual basis to study this issue, as well as the social networks of individuals who suffer from some form of psychopathy and also to mental health technicians.

Key-words: Social support, social environment, psychopathy, culture, language, religion

Introdução

Não são recentes os estudos abordando suporte social e o meio social como fatores que podem influenciar na recuperação de pessoas que sofrem de algum tipo de psicopatia.

Segundo Henriques (2009) nos dias de hoje psicopatia pode ser entendida como sinônimo de personalidade antissocial, que expressa, ou pode expressar, uma disposição permanente do caráter.

Essa disposição permanente de caráter pode também ser entendida como problemas referentes à agressividade da crueldade e da malignidade, determinando inexoravelmente o mal de outrem (HENRIQUES, 2009). É o que antigamente era conhecido e/ou designado como perversidade.

Nos dias de hoje, porém, em virtude de uma realidade globalizada, que de acordo com a visão de Robertson (1999, p.23) refere-se à compressão do mundo e à intensificação da consciência do mundo como um todo, isso ao mesmo tempo, o estudo desse fenômeno, tanto no âmbito nacional quanto no internacional, fica facilitado.

Tanto parece ser verdadeira a afirmação anterior que segundo Soeiro; Gonçalves (2010) a psicopatia é uma das perturbações mais estudadas. Os autores sugerem ainda que de um modo geral, os estudos acerca do tema apontam para a manifestação das psicopatias em condutas que podem ser associadas a resultados de fatores biológicos e da personalidade das pessoas, e ainda da relação desses fatos com antecedentes familiares e outros fatores ambientais.

A definição do termo é bastante complexa, tanto que no senso comum as pessoas utilizavam o conceito como sinônimo para louco ou criminoso (GONÇALVES, 1999). Por esse motivo parece possível afirmar que as psicopatias existem desde que o mundo é mundo.

O autor aponta ainda para o surgimento de alguns termos para o conceito, como por exemplo, perturbação de caráter (MILLON, 1981), perturbação da personalidade antissocial (AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION – APA, 1980), além de sociopatia (PARTRIDGE, 1930).

Segundo Cantero (1993), foi um psiquiatra inglês chamado Pritchard e seguidor da escola ambientalista, o primeiro a aceitar a influência do meio nesse tipo de perturbação, propondo ainda como meio de intervenção recursos e ações que possibilitassem a integração dessas pessoas a um meio adequado, superando assim o problema.

O presente estudo se insere nessa linha e pretende investigar os processos relacionados às formas de suporte e a percepção de suporte social que esses indivíduos têm em relação à família, a igreja, a cultura, além da influência do meio social na recuperação de psicopatias.

Os capítulos que se seguem visam apresentar uma breve revisão de literatura, apresentando a visão de vários autores e pesquisadores que de alguma forma tratam dos temas abordados nessa pesquisa, sendo possível verificar diferentes pontos de vista, facilitando assim um melhor entendimento do tema.

Para melhor atender ao objetivo do estudo o trabalho foi organizado em cinco seções:

A primeira abordará os quatro aspectos do meio social definidos para esse estudo, cultura, língua, religião e saúde. Na segunda seção será abordado o construto suporte social, bem como as percepções de suporte sentidas – ou não – pelos indivíduos que sofrem de psicopatias. Na terceira seção será apresentado o método utilizado na realização do trabalho. Na quarta seção estarão contidos estudos sobre o tema para melhor fundamentar as conclusões. Por fim, a última seção inclui as conclusões que foram passíveis de se articular com base nos resultados obtidos.

 

O meio Social

Meio social é um termo utilizado para abordar assuntos referentes às pessoas, grupos sociais e a sociedade.

Dentre as partes integrantes do meio social é possível destacar a cultura, a língua, a religião, além da família, saúde entre outros fenômenos que de alguma forma podem ou não influenciar na recuperação das psicopatias.

Alguns deles serão apresentados separadamente a partir de agora.

Cultura

O termo cultura, oriundo do Latim colere, que significa cultivar, é um conceito com várias definições possíveis de ser encontrada na literatura (LARAIA, 2006).

Segundo o autor, a definição genérica mais utilizada para cultura foi definida por Edward Burnett Taylor, onde se pode entender por cultura “… aquele todo complexo que inclui o conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros hábitos e aptidões adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.

Taylor é considerado até os dias de hoje como o fundador da antropologia britânica, e a primeira definição etnológica sobre o tema foi escrita por ele em 1817 (CUCHE, 2002, p. 39):

Tomando em seu amplo sentido etnográfico [cultura] é este todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade (LARAIA, 2006, p.25).

Mas sabe-se que definir cultura não é tarefa fácil. Para Canedo (2008) a cultura evoca interesses multidisciplinares, e pode ser encontrada em estudos de diversas áreas distintas como sociologia, antropologia, história, comunicação, administração, economia, entre outras.

A palavra cultura também pode ser encontrada em outros campos de estudo como sinônimo ou ainda em substituição a termos como mentalidade, espírito, tradição e ideologia (CUCHE, 2002, p. 203).

Canedo (2008) aponta ainda para o fato de que até meados do século XVI, o termo era utilizado para se referir a uma determinada ação e a processos, sendo que seu entendimento direcionava essas ações no sentido de se ter cuidado com algo. A autora sugere ainda que esse cuidado não era específico, podendo referir-se ao cuidado com animais, com o crescimento da colheita ou ainda com alguma parte da terra que tivesse sido cultivada.

O final dos séculos XVIII e XIX é considerado como o período de consolidação da utilização do termo cultura tanto nos meios intelectuais quanto artísticos, e expressões como cultura das artes, cultura das letras e cultura das ciências evidenciam que, mesmo sendo utilizada no sentido figurado, sua utilização se dava no sentido de complemento para explicar o que estava sendo cultivado (CUCHE, 2002; WILLIAMS, 2007).

Dessa forma, a partir dos estudos de Canedo (2008), parece possível afirmar que nos dias de hoje pode-se entender a cultura a partir de um tripé formado por três aspectos fundamentais. O primeiro aspecto aponta para o fato de que todas as pessoas são portadoras da cultura, que no senso comum pode ser entendido como o conjunto de significados e valores que permeiam a vida dos seres humanos.

O segundo aspecto aponta para as atividades artísticas e intelectuais. O foco nesse caso é voltado para a produção, a distribuição e o consumo de bens e serviços.

E finalmente o terceiro aspecto que pode ser visto como um instrumento para o desenvolvimento político e social, e nesse caso específico, a cultura tende a se confundir com o campo social (CANEDO, 2008).

Outro aspecto possível de ser observado no meio social é a língua, que também faz parte da cultura e que será melhor retratado a seguir.

Língua

Ainda não é possível afirmar com exatidão de que forma e quando surgiu a linguagem nos seres humanos.

Nem mesmo entre os antropólogos existe consenso sobre o assunto.

As estimativas encontradas na literatura variam consideravelmente. Alguns cientistas apontam para a existência de linguagem há 2 milhões de anos entre os Homo Habilis, espécie que viveu entre 1,5 a 2 milhões de anos, enquanto outros apontam para seu surgimento há quarenta mil anos, no tempo do homem de Cro-magnon.

Evidências recentes apontam, porém que a linguagem humana foi inventada (ou evoluiu) na África, antes que humanos começassem a se dispersar pelo globo, oriundos dessa região há cerca de 50 mil anos (WADE, 2003).

O autor salienta também que é possível supor que, como todos os grupos humanos conhecidos possuem uma linguagem própria e desse modo uma maneira de se comunicar, a língua natural deve ter sido concebida entre os ancestrais de todos esses grupos.

Segundo Oliveira (2000, p. 50) parece possível afirmar que língua e cultura são dois instrumentos inseparáveis, sendo que a primeira é influenciada pela segunda diariamente, seja na escrita ou ainda na fala. O autor sugere também que dificilmente língua e cultura possam ser separadas.

Dessa forma, o autor sugere ainda que não é a linguagem que determina o comportamento das pessoas, e sim o contrário, o que vai ao encontro da cultura subjetiva apresentada originalmente por Bennett (1993).

A seguir será abordado outro aspecto possível de ser observado no meio social, a religião.

Religião

Segundo Levin; Vanderpool (1991) é possível encontrar inúmeros estudos sobre o impacto da religião na vida das pessoas.

No Brasil desde a virada do século XIX para o século XX, existem vários estudos onde são abordadas as relações entre a religiosidade, o sofrimento individual e os transtornos mentais (DALGALARRONDO, 2007).

O autor aponta para o fato de que o primeiro a estudar esse fenômeno possivelmente tenha sido Raimundo Nina Rodrigues[1] que estudou a religiosidade de negros e pardos, assim como as epidemias de “loucura coletiva”.

Um livro intitulado Misticismo e Loucura, publicado por César (1939) era totalmente dedicado a aspectos religiosos relacionados à doença mental (DALGALARRONDO, 2007). O autor fez nesse trabalho uma análise etnopsicológica do caráter religioso dos brasileiros, sobretudo de negros e mestiços.

No capítulo 4 esse assunto será retomado apresentando alguns estudos que mostram que as crenças religiosas têm um papel importante na vida das pessoas na recuperação de psicopatias.

De acordo com Panzini; Rocha; Bandeira; Fleck (2007) a religião pode ser entendida como:

a crença na existência de um poder sobrenatural, criador e controlador do universo, que deu ao homem uma natureza espiritual que continua a existir depois da morte de seu corpo (Panzini; Rocha; Bandeira; Fleck, 2007).

A religiosidade é a extensão daquilo que as pessoas acreditam, seguem e praticam em uma religião (PANZINI et al., 2007).

O conceito de religiosidade, no entanto apresenta uma grande variedade de conceitos quando analisadas as literaturas atuais (ZINBAUER, 1997). Mas o autor afirma também que esse tipo de confusão sempre aconteceu, variando desde referências ao sobrenatural até a crença, ao ritual, etc.

Quando estudados os trabalhos sobre religião e psicopatologias, o resultado apresentado em sua maioria aponta para uma associação benéfica entre religiosidade e saúde mental (LARSON; MILANO; LU, 1992).

Outros tipos de comportamentos também parecem sofrer algum tipo de efeito protetor advindo da religiosidade das pessoas (KENDLER; GARDNER; PRESCOTT, 1997). Os autores citam como exemplo a redução do risco de uso e abuso de álcool, tabaco e drogas ilícitas, que podem ser descritas como um dos fatores ambientais mais importantes nesse contexto.

Outro aspecto possível de ser observado no meio social é a família, assunto que será tratado a seguir.

Família

Segundo Serapioni (2005) a unidade básica da organização de uma sociedade é formada pela família, mesmo que alguns cientistas sociais acreditem que essa instituição esteja apresentando certo declínio.

Esses cientistas acreditam que a família tenha perdido sua autoridade moral e seu sentido de responsabilidade (SERAPIONI, 2005, p. 245).

Ainda segundo o autor, a família deve ser entendida como o intercâmbio simbólico entre gêneros e gerações, a mediação entre cultura e natureza, além da mediação entre a esfera pública e a privada, sem se levar em conta a discussão terminológica e conceitual do termo.

De acordo com o dicionário Aulete da língua portuguesa (2011) família pode ser entendida como:

Grupo de pessoas que têm parentesco próximo entre si (esp. pai, mãe e filhos) e que vivem na mesma residência, seu lar; Grupo de pessoas que têm relações de parentesco, inclusive as adquiridas (por casamento, adoção etc.) ou ainda Grupo de pessoas que se originam dos mesmos ascendentes; DESCENDÊNCIA; LINHAGEM (IDICIONÁRIO AULETE DE LÍNGUA PORTUGUESA, 2011).

Outra definição para família encontrada na literatura foi proposta por Mioto (1996):

Núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e que se acham unidas (ou não) por laços consanguíneos. Ele tem como tarefa primordial o cuidado e a proteção de seus membros, e se encontra dialeticamente articulado com a estrutura social na qual está inserido (MIOTO, 1996).

Siza (2000) aponta que em uma pesquisa realizada em 1996 pela British Medical Association onde foi possível verificar evidências de que 80% das doenças consideradas menores podem e são diagnosticadas e tratadas em casa. A pesquisa mostrou também que nesses casos não houve a necessidade da intervenção de profissionais da saúde.

Outro autor que estudo esse fenômeno Levin (1979) também havia chegado à mesma conclusão. Em seus estudos é possível encontrar registros de que 75% dos cuidados com a família aconteciam no âmbito familiar.

Stamm; Mioto (2003) salientam que assim como outras profissões, a enfermagem pensa na família como o foco de cuidado primordial.

As autoras apontam para a criação de alguns grupos de pesquisa relacionados ao assunto, como por exemplo, o Grupo de Assistência, Pesquisa e Educação na área da Saúde da Família (GAPEFAM), desenvolvido pela enfermeira Dra. Ingrid Elsen em 1984 a partir de sua tese de doutoramento, no Departamento de Enfermagem da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC.

O GAPEFAM foi estruturado através da realização de múltiplas reuniões e estudos, e atualmente é considerado um marco, uma referência para todos os estudiosos e pesquisadores que desejam trabalhar com famílias (ELSEN, 1994).

Parece possível então afirmar que a família deve ser considerada como sendo agente indispensável na assistência a psicopatias, psiquiátrica ou não, além de ser vista e entendida como um grupo de acolhimento, onde a ressocialização de seus integrantes é bastante expressivo (ZANETI; GALERA, 2007).

A seguir será abordado o último aspecto possível de ser observado no meio social desse estudo, a saúde.

Saúde

Segundo Souto (2003) a preocupação com a saúde não é algo recente na vida do ser humano e é possível observar relatos a esse respeito muito antes da época de Cristo.

O significado etimológico da palavra saúde vem do latim salute, que quer dizer conservação da vida (FERREIRA, 1986). O autor sugere também que a tradução pode ser entendida como sendo em estado do indivíduo cujas funções orgânicas, físicas e mentais se acham em situação normal.

Uma definição para saúde como sendo o estado do corpo, sem doença nem achaque[2], boa disposição e temperamento dos humores, com que o corpo faz bem suas funções naturais é publicada na cidade de Lisboa em Portugal no ano de 1720 (RIBEIRO, 2009).

Outra definição publicada também em Portugal só que na cidade do Porto em 1874, definindo saúde como o estado do corpo com respeito as suas ações e funções, que se fazem segundo a ordem da natureza humana, e sem obstáculo nem incômodo (GRAÇA, 2000).

No dia 07 de abril de 1948 a Organização Mundial da Saúde (OMS) muda a definição de saúde que passa a ser entendida como sendo um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não meramente a ausência de doença ou enfermidade, definição essa que não foi emendada desde então (RIBEIRO, 2009).

No capítulo a seguir serão abordados os conceitos disponíveis na literatura sobre o que são psicopatias, além de seu surgimento e da evolução do conceito.

Psicopatias

O termo “psicopatia” tem sua origem no Grego e significa “psiquicamente doente” (CORDEIRO, 2003). Ainda segundo o autor o termo foi utilizado para designar de maneira genérica todas as doenças mentais e posteriormente assumiu a definição atribuída a perturbações específicas.

A seguir o tema será abordado no sentido de que o entendimento necessário seja conhecido, traçando para tal uma linha histórica através da evolução do conceito.

Surgimento e evolução do conceito

De acordo com os estudos de Hauck Filho; Teixeira; Dias (2009), foi dentro da medicina legal que o conceito de psicopatia surgiu. Ainda segundo os autores isso aconteceu quando os médicos perceberam que alguns sinais clássicos de insanidade não eram possíveis de ser identificados em alguns criminosos agressivos e cruéis.

O estudo e a descrição desses pacientes, bem como a tentativa de criar categorias onde fosse possível fazer a descrição e a classificação metódica das doenças desses pacientes de maneira adequada, são considerados pela literatura como sendo o momento inicial do que conhecemos hoje como a tradicional clínica de estudo da psicopatia (HARE; NEUMANN, 2008).

Hauck Filho et al (2009) apontam ainda para o trabalho do médico francês Phillipe Pinel (1801 / 2007) como sendo o primeiro a apresentar descrições científicas que se aproxima do que hoje se conhece como psicopatia. Os autores salientam ainda que as descrições apresentadas por ele referiam-se a padrões comportamentais e afetivos.

Segundo Henriques (2009) o termo “psicopático” na literatura psiquiátrica pode ser atribuído a Koch, pois o termo parece ter sido usado pela primeira vez em sua obra intitulada “As inferioridades psicopáticas”, escrita em 1891.

Estudos mais recentes, como o de Barros (2011) cujo objetivo era verificar se existe correlação entre os níveis de maturidade moral e os graus de frieza emocional e de psicopatia usando como objeto de estudo uma população de jovens em medida sócio educativa da fundação casa, os conceitos que inicialmente eram utilizados para se referir a doenças da mente (pathos + psyche), logo todos os pacientes psiquiátricos eram tidos como psicopatas, hoje o termo pode ser entendido como transtornos de personalidade.

Ainda segundo o autor, foi a partir dos estudos de Scheneider (1968) que denominou “aqueles que sofrem com sua anormalidade ou que assim fazem sofrer a sociedade” como pessoas que apresentam personalidades psicopáticas, que o termo assumiu a definição apontada no parágrafo anterior.

Segundo Barros (2011), Scheneider (1968) propôs a seguinte classificação para os pacientes que apresentavam algum tipo de transtorno de personalidade:

Hipertímicos – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) apresentam excesso de emotividade;

Depressivos – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) apresentam estado patológico, de natureza orgânica e psicológica, que envolve abatimento, desânimo, inércia e, às vezes, ansiedade;

Inseguros de si;

Fanáticos – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) demonstram afeto exagerado, entusiasmo, devoção, apreço etc. por algo ou alguém;

Carentes de afirmação;

Instáveis de ânimo;

Explosivos;

• Insensíveis – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) não se sensibilizam com nada; a quem nada inspira ou causa emoção, comoção;

Abúlicos – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) apresentam enfraquecimento ou perda da vontade, da iniciativa, da capacidade de escolher ou decidir;

Astênicos – Indivíduos que segundo o dicionário Aulete (2011) apresentam diminuição da resistência do sistema nervoso e/ou debilitação psíquica.

Uma das formas de atender essa população prestando atendimento clínico em regime de atenção diária, evitando as internações em hospitais psiquiátricos é recorrer aos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), assunto que será tratado a seguir.

Centros de Atenção Psicossocial (CAPS)

Seu objetivo é oferecer atendimento à população, realizar o acompanhamento clínico e a reinserção social dos usuários pelo acesso ao trabalho, lazer, exercício dos direitos civis e fortalecimento dos laços familiares e comunitários (PORTAL DA SAÚDE – SUS, 2011).

Com a inauguração do CAPS Luis da Rocha Cerqueira, na Cidade de São Paulo em março de 1987, surge no país o primeiro centro de atenção psicossocial que se tem notícia (CAMPOS; FURTADO, 2006).

As autoras salientam ainda que a criação desses centros representou a efetiva implementação de um modelo de atenção a saúde mental nunca visto até então.

Campos; Furtado (2006) lembram ainda que o CAPS Luis da Rocha Cerqueira, também conhecido como CAPS Itapeva, em conjunto com os Núcleos de Atenção Psicossocial (NAPS) inaugurados na cidade de Santos em São Paulo a partir de 1989, passaram a ser conhecidos e entendidos como referência nacional em serviços ao manicômio no Brasil.

Dessa forma o CAPS passa a ser visto como um espaço de produção de novas práticas sociais, sendo possível assim lidar de maneira diferente dos modelos tradicionais com o sofrimento psíquico. É fato, porém que se faz necessário a construção de novos conceitos para que esses novos serviços possam ter uma análise e aproximação adequada.

Atualmente os CAPS são regulamentados pela Portaria n. 336/GM/2002 e integram a rede do SUS.

Os CAPS podem ser considerados como a principal estratégia utilizada no processo de Reforma Psiquiátrica nos dias de hoje, e podem ser definidos como:

lugar de referência e tratamento para pessoas que sofrem com transtornos mentais, [...] cuja severidade e/ou persistência justifiquem sua permanência num dispositivo de cuidado intensivo, comunitário, personalizado e promotor de vida (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004).

Assim como o apoio da família, da comunidade, da igreja e do governo, os CAPS podem representar uma percepção de suporte social por parte dos assistidos, e esse é o tema apresentado a seguir.

Percepção de Suporte Social (PSS)

Segundo Ribeiro (2009), é possível encontrar na literatura disponível, tanto no âmbito nacional como no internacional, inúmeras definições bem como diferentes terminologias para o construto suporte social.

Os primeiros estudos sobre suporte social encontrados são de meados da década de 1970 do século passado, quando Cobb (1976) e Cassel (1976) sugeriram em suas pesquisas que havia a possibilidade de correlacionar laços sociais e saúde entre si.

Apesar de alguns autores brasileiros focarem suas pesquisas em aspectos teóricos do construto suporte social, é mais comum encontrar material de estudo realizado em outras partes do mundo (MATSUKURA; MARTURANO; OISHI, 2002).

Ribeiro (2009) aponta ainda que outro estudo considerado pioneiro foi  realizado  por  Kaplan;  Cassel;  Gore  (1977) cuja definição apresentada aponta para as  necessidades  pessoais  de  um  indivíduo que são satisfeitas através das interações pessoais com outras pessoas.

O suporte social se caracteriza ainda pelo número de membros na rede e suas características; suporte requerido pelo indivíduo; pelo suporte percebido ou avaliação do suporte disponível e suporte disponível recebido anteriormente (JOU; FUKUDA, 1995).

Em outras palavras, suporte social significa:

estar presente, confortar, dar segurança e atenção em uma situação delicada pela qual um indivíduo esteja passando. Suporte Social pode auxiliar na recuperação da autoestima da pessoa ou ainda, reduzir sentimentos pessoais de inadequação (PADOVAM, 2005).

O suporte social é dividido ainda em três dimensões que conforme sugerem Rodriguez; Cohen (1998) representam os tipos de suporte que uma rede social pode oferecer ao indivíduo.

As três dimensões citadas são respectivamente:

Suporte instrumental ou estrutural

Esse tipo de suporte pode ser entendido como alguém por trás da ajuda. Um exemplo dessa definição pode ser, por exemplo, o empréstimo de um livro.

Suporte informacional ou da informação

O suporte informacional ou da informação pode ser caracterizado, por exemplo, resposta a uma pergunta, e-mail ou telefone.

Suporte emocional

O suporte emocional pode ser entendido como o tipo de suporte prestado por aquelas pessoas mais próximas do indivíduo. São aquelas que pessoas que no dia a dia o escutam, que comemoram suas realizações, etc.

O suporte social emocional e o suporte social instrumental são respectivamente as dois maiores categorias de suporte social (SEEMAN, 1998).

Apesar de não existir um consenso ainda entre os pesquisadores no que diz respeito às dimensões do suporte social, o suporte emocional é apontado por autores como Beehr; McGrath (1992), McIntosh (1991) entre outros como uma das principais dimensões de suporte social, seguida pelo suporte instrumental ou estrutural (RIBEIRO, 2009).

Método

Segundo Hubner (2001, p. 41) o método pode ser descrito como uma seção fundamental em qualquer projeto de pesquisa e teses em geral.

Ainda segundo a autora, no método deve ser explicitada a lógica da ação a ser seguida pelo pesquisador, além dos principais fenômenos a serem estudados, suas ramificações, inter-relações e a forma de se obtê-los.

O delineamento dessa pesquisa se deu a partir de pesquisas bibliográficas realizadas em livros e artigos, pesquisa documental e revistas científicas.

A pesquisa bibliográfica desenvolve-se a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos, com a finalidade de ampliar e aprofundar os conhecimentos sobre o objeto estudado (GIL, 2002, p. 44).

Participantes

Por se tratar de uma pesquisa envolvendo apenas levantamento bibliográfico, não haverá a participação de pessoas nesse estudo.

Procedimentos

Os dados foram coletados através de levantamento bibliográfico a partir da utilização de livros, artigos, monografias, teses e dissertações adquiridas de fontes seguras de consulta (Medline, Lilacs, Bireme, Scielo, Google Acadêmico, Biblioteca das Universidades Federais, etc.).

A seguir serão apresentados alguns estudos envolvendo os construtos desse estudo (PSS e Meio Social) para verificar se é possível afirmar que eles realmente exercem influência na recuperação de psicopatias.

Discussão

Nesse capítulo serão apresentados alguns estudos realizados no Brasil e no Mundo, onde possa ser verificado se realmente existe por parte dos estudiosos do assunto a percepção de que o suporte social e a influência do meio social exercem algum tipo de influência na recuperação de psicopatias.

Após todo o processo de pesquisa que permeou esse trabalho em busca de respostas sobre os questionamentos iniciais, parece ser possível afirmar que a percepção de suporte social e a influência do meio (cultura, língua, religião e saúde) podem sim influenciar na recuperação de psicopatias.

Essa análise será dividida em duas partes, sendo que a primeira apresentará estudos referentes ao Meio Social. A segunda parte apresentará estudos referentes à Percepção de Suporte Social.

Estudos abordando aspectos do Meio Social

São vários os exemplos de estudos realizados onde parece ser possível afirmar que o meio social pode exercer algum tipo de influência na recuperação de psicopatias.

Um exemplo dessa afirmação pode ser evidenciado no estudo realizado por Borba; Paes; Guimarães; Labronici; Matfun (2011), intitulado: “A família e o portador de transtorno mental: dinâmica e sua relação familiar”.

O objetivo do estudo, segundo os próprios autores, era Conhecer o papel da família em relação ao portador de transtorno mental e identificar a percepção da família com relação à saúde mental, ao portador de transtorno mental e ao tratamento em saúde mental.

A pesquisa foi realizada entre setembro e dezembro de 2008 em uma Associação de pessoas com transtorno mental e familiares no município de Curitiba no estado do Paraná.

Foram convidadas para participar do estudo um grupo composto por 56 famílias que costumam frequentar o local, porém, apenas 06 famílias aceitaram participar do estudo.

Os dados foram analisados e agrupados em seis categorias, a saber:

• A família como importante suporte nos momentos de dificuldade;

• O papel da família no cuidado e no tratamento da pessoa com transtorno mental;

• Concepção de saúde mental-transtorno mental na perspectiva das famílias;

• Ser humano: um ser de relações;

• O sentimento da família diante do transtorno mental; e

• O entendimento da família acerca dos espaços de tratar e do tratamento em saúde mental.

Segundo os participantes a família é o principal suporte com o qual podem contar independente da dificuldade que enfrentam.

Outro resultado apresentado pelo estudo apontou para a percepção dos participantes quanto ao papel da família em relação à pessoa com transtorno mental. Para eles esse papel está diretamente relacionado com estar presente, ter atitudes de zelo, proteção, afeto e compreensão. Também é o de instrumentalizar-se, buscar conhecer a si mesmo, o transtorno mental, os sintomas e as possíveis limitações que ele impõe ao familiar que adoeceu (BORBA et al., 2011).

Borba et al. (2011) apontam ainda para o fato dos comentários dos participantes do estudo quando questionados sobre o fato da família ser vista como uma unidade de suporte nas adversidades do ciclo de vida, as respostas foram ao encontro dos achados na literatura, que considera que uma unidade primária de cuidado, passa necessariamente por segurança, espaço de interação, entre outros aspectos encontrados no meio social.

Outra informação importante e possível de afirmar a partir dos resultados do estudo é que uma rede social ampla, capaz de preparar, acolher, apoiar e orientar pode trazer contribuições para a família no sentido de que ela assuma seu papel de provedora de cuidado e se torne uma efetiva unidade básica de saúde, capaz de resolver os problemas do viver cotidiano (BORBA et al., 2011).

Outra parte integrante do meio social que segundo estudos pode influenciar na recuperação de psicopatias é a religião.

Torres (1986) investigou a relação entre religiosidade, medo da morte e atitude perante o suicídio.

Ele separou os participantes em dois grupos distintos de orientação religiosa: extrínseca e intrínseca.

Não foi observada no grupo de religiosidade extrínseca associação entre ortodoxia[3] religiosa e medo da morte. Também não foi observado nesse grupo nem ortodoxia, nem medo da morte foram preceptores da aceitação ou rejeição do suicídio.

Já no grupo de religiosidade intrínseca, a ortodoxia religiosa e o medo da morte apresentaram-se inversamente relacionados. Nesse caso, a aceitação do suicídio revelou-se correlacionada de forma decrescente com o grau de ortodoxia religiosa.

Outro estudo sobre religião e saúde mental que visava verificar a importância da prática e envolvimento religioso para pacientes internados em duas unidades psiquiátricas de pacientes agudos foi realizado por Machado (1993) na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Nesse estudo a autora comparou 40 pacientes psiquiátricos com 40 pacientes cardíacos (grupo controle) em relação a comportamentos religiosos anteriores à internação e verificou em 45% dos casos os pacientes psiquiátricos buscavam auxílio em igrejas pentecostais com mais frequência que 20% dos casos, ou seja, os pacientes cardíacos.

Quando os problemas referiam-se a cura de seus problemas 35% dos pacientes psiquiátricos buscavam ajuda por meio da prática e envolvimento religioso, enquanto os pacientes cardíacos que adotavam a mesma prática somavam apenas 2,5%.

É possível também encontrar na literatura estudos relacionados ao uso e abuso de álcool e drogas.

Almeida; Coutinho (1991) utilizaram um instrumento de rastreamento em 561 pacientes ambulatoriais do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), no Rio de Janeiro e verificaram aqueles que reportaram possuir alguma religião associavam-se a uma menor frequência de problemas relacionados ao álcool.

Outro estudo realizado com 322 estudantes de medicina de uma faculdade do interior do estado de São Paulo constatou que estudantes evangélicos apresentavam menor incidência ao uso abusivo de álcool quando comparados aos alunos sem religião, que apresentava as frequências mais elevadas (BORINI; RUBIRA; ISHIKAWA; FERREIRA JÚNIOR, 1999).

No caso específico do álcool é importante ressaltar que seu uso abusivo também pode estar associado a outros fatores como, por exemplo, gênero masculino, tipo de moradia, prática de esportes, tempo de estudo extracurricular e uso de tabaco e outras drogas ilícitas sobre as características do uso e abuso de álcool (BORINI et al., 1999)

Mateus (1998) realizou um estudo com pacientes esquizofrênicos e seus familiares em Cabo Verde (África).

Segundo os relatos dos familiares desses pacientes, as causas sobrenaturais, além de fatores orgânicos, reativos, emocionais e sociais foram os responsáveis pelo adoecimento dessas pessoas.

Segundo o autor tratamentos alternativos são utilizados com frequência pela população local para problemas de saúde mental, além da busca por ajuda nos movimentos religiosos, como por exemplos as Igrejas Pentecostais.

Outra pesquisa etnográfica interessante envolvendo a religião e saúde mental foi realizada por Redko (2000) que também realizou uma pesquisa com 21 jovens que adoeceram pela primeira vez na vida de um surto psicótico, do tipo esquizofrênico.

A autora fez visitas quinzenais a esses jovens durante um período de 6 a 12 meses, acompanhando suas rotinas diárias. Essas visitas tinham como itinerário suas casas, além das instituições religiosas que eles frequentavam na busca de algum tipo de alívio.

A maior parte costumava buscar ajuda em Igrejas Pentecostais enquanto um grupo menor buscava auxílio na Umbanda.

Segundo a autora, foi possível a partir das experiências religiosas relatadas por esses jovens atribuir sentido e nomear suas vivências psicóticas, além de lhes assegurar um senso de identidade.

Também foi possível observar que em alguns casos a busca pela religião ou pela prática religiosa em vez de aliviar o sofrimento, piorou o funcionamento psíquico e social.

Monteiro (2004) investigou 15 familiares de nove pacientes no primeiro episódio psicótico de suas vidas.

A autora optou em seu estudo por selecionar especialmente pacientes que por algum motivo preferiram iniciar o tratamento psiquiátrico adequado com mais de seis meses de espera.

Os resultados apresentaram a presença de representações negativas em relação à experiência da loucura nos familiares, mas também foi possível observar que quase todas as pessoas que participaram do estudo formularam algum tipo de explicação espiritual.

Estudos abordando a Percepção de Suporte Social (PSS)

Com relação à Percepção de Suporte Social também é possível encontrar vários estudos que de alguma forma sinalizam para o fato de que o suporte recebido por um indivíduo pode influenciar na recuperação de psicopatias.

Alguns sugerem ainda que o contrário também pode ser verdadeiro:

A intervenção no Suporte Social torna-se relevante quando verificamos a existência de doentes mentais que conseguem ultrapassar situações de crise sem recorrer ao internamento, através do suporte proporcionado por um amigo, um familiar ou por um técnico de acompanhamento, existindo também situações em que os indivíduos entram em crise quando as suas ligações sociais se alteram ou desaparecem (ORNELAS, 1996, p. 265).

Segundo Cassel (1974) as pessoas que apresentam algum tipo de problema social ou desordem familiar, têm maior probabilidade de apresentarem problemas de saúde relacionados ao estresse.

Apesar da sensação de isolamento social relatada por esses indivíduos e da sensação de que são incapazes de conseguir controlar a própria vida, a proposta de apoio social evidencia que as pessoas afetadas por algum tipo de psicopatia reagem de maneiras diferentes, porém, é possível observar ainda que pessoas que relatam suporte social elevado tendem a apresentar um melhor ajuste físico e mental (VAUX, 1988; SYMISTER; FRIEND, 2003).

É como salienta Siqueira (2008, p. 381): “… o suporte social é apontado por estudiosos de diversas áreas como um fator capaz de proteger e promover a saúde”.

Autores como Barrón (1996); Cid (2008) argumentam ainda que a incidência de transtornos pode ser maior caso o suporte social não seja observado pelo paciente, ou seja, quanto menor o suporte maior a probabilidade da incidência de transtornos. Os autores afirmam também que, caso a percepção de suporte social seja nula, aumentam as probabilidades do desenvolvimento de transtornos mentais.

Apesar da constatação que os doentes mentais esquizofrênicos apresentam normalmente redes sociais menores do que as pessoas que não apresentam histórico de doença mental, a rede social dos doentes mentais pode ser observada e, na grande maioria das vezes é dominada por familiares (ORNELAS, 1996).

É possível encontrar na literatura evidências de que as psicopatias interferem nas relações sociais. Pessoas acometidas, por exemplo, de algum tipo de doença mental tendem a se isolar socialmente, seja por motivo de incapacidade ou de limitação (LIMA, 1999).

O autor afirma também que vários são fatos que podem justificar essa afirmação, e estudos epidemiológicos mostram que baixo suporte social associados a outros fatores como a falta do cônjuge ou a falta de uma pessoa confidente estão associadas à maior ocorrência de depressão.

Silver; Heneghan; Bauman; Stein (2006) desenvolveram um estudo nos Estados Unidos, em um pequeno distrito, com 279 mulheres mães de crianças entre 6 meses e três anos. O objetivo do estudo era a partir de uma pesquisa de campo diagnosticar precocemente casos de depressão materna.

Todas responderam um questionário cujo objetivo era avaliar os níveis de sintomas de depressão, ansiedade, raiva, além de distúrbios cognitivos.

Para avaliar a percepção de suporte recebido, foram respondidas questões que indicavam com que frequência elas recebiam suporte social, ou com que frequência elas sentiam que precisavam da ajuda de outras pessoas dentro de uma escala que ia de “nunca ou quase nunca” até “todo o tempo”.

Os autores observaram que os níveis de sintomas depressivos aumentavam consideravelmente em duas ocasiões: a) quando as mães se sentiam menos competentes ou capazes de gerenciar suas atividades relacionadas à suas crianças; b) quando não era percebido ou não era considerado adequado seu sistema de suporte social.

O estudo revelou ainda que as mães deprimidas perceberam menor incidência de suporte social do que as mães não deprimidas (SILVER et al., 2006).

O estudo de Cid (2008) realizado com mães com diversos tipos de transtornos mentais observou-se que a maior fonte de suporte social vinha da família mais próxima, na maioria das vezes o marido. Mas o autor aponta também para o fato de que algumas mães que apresentavam transtornos de humor descreveram como fonte de suporte social os técnicos de saúde mental.

A influência dos meios sociais no comportamento humano não é algo novo, pois é possível verificar desde o final da década de 60 do século passado indicações sobre esse fato, seja nos aspectos relacionados a saúde ou a doença (BARRÓN, 1996).

Cobb (1976) aponta para o fato de que o suporte social pode proteger as pessoas de vários campos de estados psicológicos, e entre eles é possível citar a tendência suicida, o alcoolismo e a sociofobia.

O suporte social para aquelas pessoas que sofrem de alguma doença crônica é um recurso importantíssimo e indispensável, podendo na maioria dos casos reduzir a angústia que esses indivíduos carregam, promovendo assim maior adesão ao tratamento médico, fato que pode tornar a recuperação mais rápida além de reduzir a quantidade de medicação utilizada por essa população (COBB, 1976; PEDROSO; SBARDELLOTO, 2008).

Considerações Finais

O objetivo deste estudo foi constatar a percepção de suporte social e a influência do meio social na recuperação de psicopatias, a partir de estudos e levantamentos bibliográficos realizados no Brasil e no exterior.

A partir do procedimento metodológico utilizado e descrito nesse trabalho parece possível afirmar que o objetivo foi atingido, pois vários estudos realizados tanto no âmbito nacional quanto internacional apresentam fortes evidências de que não apenas o suporte social, mas também o meio social onde o indivíduo está inserido pode exercer influência na recuperação de psicopatias.

Estudos apontando para a força que a religião exerce nas pessoas são freqüentes e cada vez mais parece apresentar resultados positivos quando se associa a religião a recuperação de psicopatias.

Essa afirmação apenas ratifica o que vivenciei na prática durante os dois anos que atuei como enfermeira no CAPS da cidade de Mauá no estado de São Paulo.

Por muitas vezes ouvi meus pacientes dizendo que estavam melhores por causa da vontade de Deus, discurso esse que não era diferente quando a fala era da família, na grande maioria das vezes o pai ou a mãe.

O mesmo acontecia também quando indagados sobre a importância da família no processo que abrange o dia a dia e o tratamento em si.

É verdade que nenhum deles tem ideia dos conceitos abordados nesse estudo – percepção de suporte social, rede social, meio social – mas uma coisa parece ser fato, todos os estudos apresentados nesse trabalho apenas corroboram minhas expectativas iniciais.

Desse modo, a partir das evidências apresentadas até então, parece ser possível afirmar que a percepção de suporte social e a influência do meio social em que o indivíduo está inserido podem sim influenciar na recuperação de psicopatias. Pelo menos essa é a percepção das pessoas envolvidas.

O que se espera a partir de então é que esse estudo possa trazer maiores contribuições para o tema.

Como sugestão final para os pesquisadores fica o direcionamento as questões metodológicas. Seria interessante e importante que estudos futuros contemplassem um número significativo de participantes para que a partir de suas contribuições, pudessem ser obtidos resultados que apresentassem uma melhor interpretação dos assuntos aqui tratados.

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[1] Ver os trabalhos de Nina Rodrigues concernentes à religião e suas relações com a psicopatologia: Nina Rodrigues, R. Animismo Fetichista dos Negros Bahianos. Revista Brasileira, Rio de Janeiro, 1896; Epidemie de folie religieuse au Brésil, Annales Médico-Psychologiques, Paris, 1898; Nina Rodrigues, R. Sobrevivências Religiosas: Religião, Mitologia e Culto. In: Os Africanos no Brasil. Editora Universidade de Brasília/Companhia Editora Nacional, São Paulo, 1982/1933 (DALGALARRONDO, 2007).

[2] Mal-estar frequente, sem muita gravidade (IDICIONÁRIO AULETE DE LÍNGUA PORTUGUESA, 2011).

[3] Fidelidade, conformidade absoluta com um princípio, ideologia ou doutrina religiosa (ortodoxia judaica); (IDICIONÁRIO AULETE DE LÍNGUA PORTUGUESA, 2011)

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Ribeiro, Paulo y Hungaro Ribeiro, Angela: "Percepção de suporte social (PSS) e a influência do meio social na recuperação de psicopatias" en Revista Caribeña de Ciencias Sociales, diciembre 2014, en http://caribeña.eumed.net/recuperacao-psicopatias/

Revista Caribeña de Ciencias Sociales es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.