PLANEJAMENTO EXECUTIVO DE UNIDADE UNIFAMILIAR

RESUMO
Para atender às demandas da Construção Civil em relação ao crescimento visível do Estado do Pará com seus grandes projetos de mineração, energia e agronegócios, dentre outros não menos importantes, é imprescindível à formação de profissionais com conhecimento adequado da área de planejamento executivo ou operacional. Sob a premissa de aprimorar os conhecimentos dos profissionais originou-se a ideia de promover uma capacitação visando o Planejamento e o Controle de Obras, para isso foi concebido um estudo de caso real, mostrando o orçamento e o planejamento completo de uma unidade residencial. O objeto do estudo é uma casa da COHAB que, apesar de pequena, conduz o leitor a uma generalização metodológica possível de entender como seria o planejamento executivo da construção de edifícios analisando o estudo de caso. A proposta alcançou os resultados capacitando os profissionais, demonstrando de forma clara e sintética como planejar e controlar uma obra.

Palavras-chave: Construção Civil, planejamento de obras, programação de obras.

1.      INTRODUÇÃO

Devido à alta competitividade no setor da construção civil, as empresas vêm buscando mudanças que as fortaleçam dentro deste cenário, e para isso precisam investir em métodos de planejamento, programação, controle e execução de maneira eficiente, visando diminuição de custos, garantia de atendimento dos prazos e qualidade nos serviços do empreendimento.

Segundo KIYTIRO et al. (2001) a maioria das empresas, principalmente as pequenas e médias, utilizam de procedimentos precários de planejamento e esse quadro é menos grave nas empresas que atuam com construção pesada e obras industriais, sendo acentuada nas que operam com construção leve, como as obras de edificação.

KIYTIRO et al. (2001) ainda ressaltam que ao longo de muitos anos valorizou a imagem do Engenheiro “tocador de obras” com uma postura de resolver problemas na medida em que fossem aparecendo e com a preocupação natural dos aspectos técnicos da obra, dando pouca importância aos problemas administrativos e gerenciais.

Em uma reportagem para a revista Construção Mercado (2002) diz:

“Grande parte dos diagnósticos da construção civil, realizados até hoje, indicam que muitos problemas do setor – baixa produtividade, incidência de perdas, ocorrência de acidentes – têm entre as principais causas a falta de planejamento”.

À medida que o planejamento passa a ocupar um lugar de destaque no cenário da construção civil torna-se indispensável à formação de profissionais, em nível de graduação, com o conhecimento adequado nesta área para enfrentar as exigências do mercado.

Por isso, a capacitação de planejamento e controle na construção civil tem o objetivo de apresentar os conceitos e técnicas de planejamento da construção, bem como modelos de planejamento e controle da produção, capacitando-os a planejar e controlar a execução de empreendimentos de construção civil.

2.        METODOLOGIA

Para que o estudo fosse desenvolvido de forma prevista, o mesmo iniciou com um estudo teórico, para então iniciar análise dos projetos técnicos de execução. Após a análise dos documentos foi elaborado a EAP, o orçamento analítico detalhado com composições de preço unitário e tabela de preço dos insumos e a seguir a programação com gráfico de Gantt e rede PDM, conforme é mostrado na figura 1.

2.1.  ESTUDOS TEÓRICOS (PASSO 1)

O estudo teórico foi obtido através de livros nos acervos bibliográficos, de pesquisa e seleção de materiais como anais de congressos, periódicos, revistas e trabalhos acadêmicos (tese, dissertação, monografia, artigos etc.) disponíveis na internet e em arquivos pessoal.

2.2.   ANÁLISE DOS PROJETOS TÉCNICOS DE EXECUÇÃO (PASSO 2)

De posse dos projetos (arquitetônico, elétrico, hidráulico e esgoto sanitário) e da especificação técnica do projeto foi feita uma leitura e interpretação dos mesmos para verificar o tipo de obra e a identificar todos os serviços.

A edificação é de padrão popular, sem muitas complexidades de execução dos serviços, logo se obteve uma facilidade para identificar os serviços envolvidos.

2.3.   EAP (PASSO 3)

Após o estudo teórico e a identificação de todos os serviços da edificação foi elaborada a EAP para que fosse sistematizada uma estruturação para se seguir na execução do orçamento detalhado, de modo que não fosse omitida nenhuma das atividades executadas durante a construção.

 2.4.   ORÇAMENTO (PASSO 4) 

Ao elaborar a EAP, partiu-se para a quantificação dos materiais dos serviços da edificação em questão, levando em consideração todas as dimensões e as características especificadas em projeto.

Em seguida foram elaboradas as composições de custos unitários de todos os serviços juntamente com a cotação dos preços dos insumos.

2.5.   PROGRAMAÇÃO (PASSO 5)

A programação foi elaborada por meio do gráfico de Gantt e rede PDM, com o uso do software MS Project 2007, utilizando a EAP. Para a elaboração do gráfico de Gantt, teve-se que calcular a duração das atividades.

As durações das diversas atividades foram calculadas a partir dos coeficientes de produtividade extraídos das composições de custos unitário, das quantidades a serem executadas em cada atividade, do número de operários envolvidos nestas atividades e da jornada de trabalho empregada na execução da obra. A equação matemática utilizada neste cálculo está representada na equação abaixo.

, onde:

 – Duração da atividade “i” em unidades de tempo;

– Quantidade a ser executada da atividade “i”;

– Produtividade dos operários que determinam o ritmo de execução de uma unidade da atividade “i”;

– Número de operários ou máquinas envolvidos no processo produtivo da atividade “i”

(equipe necessária);

– Jornada de trabalho semanal estipulada para a execução das diversas atividades do empreendimento.

2.6.   COMPATIBILIDADE ENTRE OS DOCUMENTOS (PASSO 6)

 

Este passo é de decisão, quando foi analisada a compatibilização entre os documentos EAP, orçamento e programação. Caso haja incompatibilidade com a programação, volta-se para o passo (5); no entanto, se a incompatibilidade for de orçamento, volta-se para o passo (4); se a incompatibilidade for na EAP, volta-se para o passo (3); se incompatibilidade for na análise dos projetos técnicos de execução, volta-se para o passo (2) e se a incompatibilidade for nos estudos teóricos, volta-se para o passo (1).

3.        RESULTADOS

3.1.  ANÁLISE DOS PROJETOS TÉCNICOS DE EXECUÇÃO (PASSO 2)

A partir da análise dos projetos verificou-se que o objeto de estudo é uma residência unifamiliar de padrão baixo, com área construída de 25 m², composta por 4 (quatro) compartimentos, sendo: quarto, cozinha banheiro e pátio, representada na figura 2.

 

O projeto de execução da obra em questão é de padrão popular e com processos construtivos bem simples. O tipo de fundação utilizado é fundação rasa, com alicerces e baldrames. Sua estrutura é feita apenas de uma percinta de amarração da alvenaria que é de tijolo cerâmico. A estrutura do telhado é feita de madeira de lei com cobertura de telhas cerâmicas. No acabamento não são utilizados revestimentos cerâmicos, no entanto o piso é de cimento e a parede com pintura à cal.

3.2.   EAP (PASSO 3)

A EAP, mostrada na tabela 1 foi elaborada no software MS Project 2007, em seguida exportada para Excel para fins de melhor formatação. A mesma serviu de subsídio para a elaboração do orçamento analítico e a programação com o gráfico de Gantt e rede PDM.

3.3.   ORÇAMENTO (PASSO 4)

A tabela 2 apresenta o orçamento analítico da obra foco deste trabalho que foi elaborado no programa “Excel”, para a isto precisou-se elaborar a composição de custo unitário dos serviços listados na EAP e fazer uma cotação de preços dos insumos, feita através da planilha de insumos do SINAPI.

A tabela 3 mostra algumas composições de preços unitários, nelas foram consideradas taxa de encargos sociais e BDI, sendo respectivamente de 123,90%, valor este adotado na tabela do SINAPI e 30% que é adotado pela COAHB.

PROGRAMAÇÃO (PASSO 5)

Para a elaboração da programação foram utilizados os níveis mais adequados de cada atividade da EAP, sendo estas atividades dispostas conforme a sequência de execução das mesmas, seguida da duração, conforme mostra a figura 3.

Com as atividades dispostas, a duração das mesmas e a predecessoras de cada atividade obtém-se o gráfico de Gantt e a rede PDM que mostra o caminho critico que é dado pela trajetória onde não há folgas para realização das atividades, que aparece em vermelho. A figura 4 mostra o gráfico de Gantt e a figura 5 a rede PDM.

 CONCLUSÕES

A realização deste estudo ressaltou e identificou a importância do planejamento de obras e a necessidade de formação de profissionais competentes nesta área.

Os resultados obtidos com o estudo de caso foram satisfatórios, sendo possível elaborar os principais métodos de planejamento de maneira rápida dentro do que foi proposto atendendo as técnicas de planejamento e controle de obra.

O material gerado para esta capacitação também permitirá que os profissionais tenham acesso para uma consulta rápida sanando dúvidas que venham a ocorrer.

A capacitação dos profissionais demonstrou de forma clara e sintética como planejar e controlar uma obra, despertando a estes maior interesse nessa área, tornando-os profissionais melhores preparados para o mercado de trabalho.

 

REFERÊNCIAS

 

ABNT (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS). NBR 12721: Avaliação de custos unitários e preparo de orçamentos de construção para incorporação de edifício em condomínio. Rio de Janeiro, 2006.

 

BOITEUX, C.D. PERT/CPM/Roy e outras técnicas de programação e controle. Rio de Janeiro: LTC Livros Técnicos e Científicos, Editora S.A., 1995.

 

CIMINO, Remo. Planejar para construir. 1ª Edição. São Paulo: PINI. 1987. 224 p. ISBN 85-7266-034-8.

 

FAILLACE, Raul Rego. O orçamento na construção civil. Caderno Técnico. 2ed. Porto Alegre: UFRGS, 1988.

 

GOLDMAN, P. Introdução ao planejamento e controle de custos na construção civil brasileira: a estrutura de um setor de planejamento técnico. 3ª ed. São Paulo: Ed. Pini Ltda, 1997. 180p.

 

GONZÁLEZ, Marco Aurélio Stumpf. Noções de Orçamento e Planejamento de Obras. UNISINOS: São Leopoldo, ago. 2008.

 

HEREMAN, Mariana. Orçamento. In: 7ª Simpósio de Ensino de Graduação. Anais… Piracicaba, 2009.

 

ISATTO, Eduardo L. et al. Lean construction: diretrizes e ferramentas para o controle de perdas na construção civil., Porto Alegre, SEBRAE/RS, 2000. Série SEBRAE Construção Civil, volume 5.

 

KIYTIRO, I et al. Um Estudo de Caso de Implementação de um Sistema de Administração de Produção na Construção Civil. In: XXI Encontro Nacional de Engenharia de Produção. Anais… Salvador, 2001.

 

MATTOS, Aldo Dórea. Como preparar orçamentos de obras: dicas para orçamentistas, estudos de caso, exemplos. 1ª Edição. São Paulo: PINI. 2006. 281p. ISBN 85-7266-176-X.

 

MENDES, Adriana de Nazaré Moraes et al. Planejamento, orçamento e custos de obra: Sisplo x Ms-Project. In: XIII Simpósio de Engenharia de Produção. Anais… Bauru, 2006.

O Método PERT/CPM. Disponível em: < http://pet.ecv.ufsc.br/>. Acesso em 03 de maio de 2010.

 

RODRIGUES, Mariuza. Planejamento de Obras: É assim que se faz. Construção e Mercado, São Paulo, n. 12, pp. 38 – 49, julho de 2002.

Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato:
Azulay Ramos, Michelle,Soares Corrêa, Ligiane y Amanajás Pena, Heriberto: "Planejamento executivo de unidade unifamiliar" en Revista Caribeña de Ciencias Sociales, noviembre 2014, en http://caribeña.eumed.net/unidade-unifamiliar/

Revista Caribeña de Ciencias Sociales es una revista académica, editada y mantenida por el Grupo eumednet de la Universidad de Málaga.